quarta-feira, 5 de maio de 2010

Os Seres Procarióticos: Bactérias e Arqueas

3.1 Características gerais de bactérias e arqueas
A descoberta dos microorganismos
As bactérias foram observadas pela primeira vez no final do século XVI por um negociante holandês Antonie Van Leeuwenhoek. Em seu tempo livre, ele polia lentes e construía microscópios. Com um de seus aparelhos Antonie observou certo dia resíduos tirados de seus próprios dentes, e viu seres muito pequenos que não podiam ser visto a olho nu em forma de bastonetes.
Porém as bactérias só despertaram interesse nos cientistas a partir do final do século XIX, quando o médico Alemão Robert Koch e o pesquisador francês Louis Pasteur descobriram que elas eram a causa de uma doença do gado chamada Antraz. A partir deste fato, segundo Amabis e Martho (2004) “a noção de que as bactérias podiam causar doenças foi sendo lentamente aceita, com a demonstração da origem bacteriana de diversas doenças humanas, como gonorreia, tifo, lepra etc”.
O fato de certas doenças serem causadas por bactérias levou os pesquisadores a pensar que todas as bactérias existentes eram prejudiciais a saúde. Segundo relatos Pasteur tinha horror a lugares sujos que ele sabia haver bactérias, e evitava apertar a mão das pessoas. Hoje em dia sabemos que as bactérias são os seres mais abundantes da terra, e que sua minoria é prejudicial a nossa saúde. As bactérias tem uma enorme importância na vida na terra, podemos afirmar que sem elas não existiria vida no planeta como hoje existe.
As bactérias se instalam no nosso organismo a partir do momento em que nascemos e vivem em nossa pele e em nosso tubo digestório. Pode-se afirmar que o número de bactérias que estão presentes em uma pessoa é dez vezes maior que o número de células do próprio corpo humano. As bactérias que vivem em nosso tubo digestório nos protegem contra outras bactérias e fungos que podem nos prejudicar e causar doenças, além de nos fornecer algumas vitaminas.


Bactérias e arqueas
As bactérias e as arqueas são os chamados microrganismo e são os seres mais abundantes do planeta. São unicelulares e possuem célula procariótica.
As arqueas e as bactérias são muito semelhantes e só foram diferenciadas há poucas décadas. Existem alguns pontos fundamentais para diferenciar as bactérias das arqueas como por exemplo a constituição química da parede celular, as arqueas não apresentam em sua parede o peptidoglicano, que é constituinte típico das bactérias. Algumas espécies de arqueas apresentam polissacarídeos na parede celular enquanto outras apenas apresentam proteínas.
O que mais diferencia as arqueas das bactérias é a organização e o funcionamento de seus genes. Alguns biólogos dizem que as arqueas são mais diferentes das bactérias do que um ser humano de uma alface.
Parentesco evolutivo entre arqueas e bactérias
Quando não se conhecia a diferença entre bactérias e arqueas, ambas eram chamadas de bactérias e ambas eram classificadas no reino Monera. Reino que reúne os organismos que possuem a célula procariótica. Sendo feita as primeiras diferenciações entre os dois seres procarióticas, foi criado um novo grupo o Archeobacterias. Enquanto as outras bactérias seriam reunidas no grupo Eubactéria. Após estudos mai aprofundados foi descoberto que esses seres eram ainda mais diferentes, isso levou a criação de um novo grupo, que teve a eliminação do termo bactéria e passou a ser chamado apenas de Archea. Assim, já não era mais necessário o prefixo “eu” para apontar as verdadeiras bactérias e elas passaram a fazer parte do grupo Bactéria.
Estudos recentes de classificação sugerem que esses grupos sejam ainda mais separados. O que faria explicar melhor a vida evolutiva na Terra. Nessa proposta de classificação existe uma categoria taxonômica acima dos reinos, que são os domínios. Assim os seres vivos seriam separados em três grandes domínios; Bactéria, que reuniria as bactérias, o domínio Archaea, que reuniria as arqueas e Eukarya que reúne os protoctistas, os fungos, as plantas e os animais constituídos por células eucarióticas. Hoje pode se afirmar que as arqueas em questão de evolução são mais relacionadas com os organismos eucarióticos do que com as bactérias.


3.2 Características estruturais das bactérias
Organização interna da célula bacteriana
A maioria das bactérias apresenta um envoltório externo rígido, chamado parede celular que é responsável pela forma da célula e por sua proteção. A parede pode evitar por exemplo que a célula estoure quando é mergulhada em água pura, essa é a mais hipotônica das soluções aquosas. Pó outro lado a maioria das bactérias em ambiente de salinidade alta se desidrata e morre devido à osmose.
Sob a parede celular da bactéria é encontrado a membrana plasmática, ela delimita o citoplasma, onde há o ribossomo que é responsável pela produção das proteínas.
As células bacterianas possuem uma molécula circular de DNA que constitui o cromossomo. O cromossomo forma um enovelado conhecido como nucleóide que é localizado no centro da bactéria. Além do DNA cromossômico as células procarióticas também possuem os plasmídios que são menores que os DNA cromossômico e sua presença não é essencial a vida da bactéria.
Muitas bactérias apresentam estruturas que dão mobilidade à célula: os flagelos, que são ligados a parede celular e à membrana celular, esses são bem diferentes dos flagelos das células eucarióticas. Os flagelos bacterianos possuem em sua base um microscópico motor molecular que tem semelhante funcionamento a motores elétricos inventados pelo ser humano.
A maioria das bactérias mede entre 0,2 e 1,5 µm de comprimento e só podem ser vistas através de microscópios, porém existe alguma exceções como por exemplo a bactéria Epulopiscium fishelsoni, que foi descoberta por volta de 1980 no tubo digestório de um peixe que vive no mar Vermelho. Ela tem pouco mais de meio milímetro de comprimento que é 600 µm pó 80 µm de diâmetro e pode ser vista a olho nu.
Muitas bactérias apresentam uma cobertura gelatinosa e pegajosa que se encontra fora da parede celular que é denominada cápsula bacteriana. Essa cápsula pode ser formada por polissacarídeos, por proteínas ou pelos dois, pois a composição dessa cápsula vária nas diferentes espécies. Esses componentes são produzidos no interior da célula, são secretados para fora e se agregam a parte externa da parede. Em certas espécies que causam doença a cápsula dificulta a fagocitose da bactéria pelos glóbulos brancos ultrapassando as linhas de defesas de nosso sistema imunológico.

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